Empresas terão de rever escalas, custos e produtividade diante do avanço das propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil
A redução da jornada de trabalho no Brasil deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ocupar espaço central no debate legislativo e empresarial em 2026. Com a tramitação de propostas como as PECs 221/2019 e 8/2025, além do Projeto de Lei 1.838/2026 apresentado pelo Executivo Federal, a extinção gradual da escala 6×1 já é tratada pelo mercado como uma mudança inevitável nas relações de trabalho do país. O impacto deve atingir principalmente setores como varejo, indústria e serviços essenciais, exigindo adaptação rápida das empresas.
As propostas em discussão apresentam modelos distintos, mas convergem no objetivo de reduzir a jornada semanal atualmente fixada em 44 horas. A PEC 221 prevê uma transição gradual para 36 horas semanais, enquanto a PEC 8 propõe o modelo 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. Já o PL 1.838/2026 estabelece a redução para 40 horas semanais no modelo 5×2. O tema ganhou ainda mais força em ano eleitoral, impulsionado pelas discussões sobre saúde mental, produtividade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a redução da jornada poderá gerar aumento médio de até 7,84% nos custos trabalhistas das empresas, especialmente em segmentos que dependem fortemente de mão de obra operacional contínua. No entanto, especialistas afirmam que o principal desafio não será apenas financeiro, mas estrutural e jurídico.
Para o advogado trabalhista empresarial de Maceió dr. Luiz Henrique Cunha, o empresariado precisa abandonar a postura reativa e iniciar imediatamente um planejamento estratégico para enfrentar o novo cenário. “O debate já não gira em torno de ‘se’ a mudança vai acontecer, mas de ‘quando’ e ‘como’. Empresas que esperarem a legislação ser aprovada para agir podem enfrentar aumento de passivos trabalhistas, desorganização operacional e perda de competitividade”, afirma.
Os impactos variam conforme o setor econômico. No varejo e comércio, a substituição da escala 6×1 exigirá contratações adicionais e revisão completa das escalas de atendimento. Na indústria, haverá necessidade de reorganização de turnos, o que tende a elevar os custos operacionais. Já na saúde, apesar da preservação provável do regime 12×36, instituições hospitalares e clínicas terão de investir em gestão mais eficiente de equipes para manter a operação contínua.
De acordo com Luiz Henrique Cunha, a saída está diretamente ligada à modernização da gestão empresarial. “A redução da jornada pode funcionar como um catalisador de produtividade. Empresas que investirem em automação, tecnologia de gestão de escalas e negociação coletiva terão mais segurança jurídica e melhores condições de adaptação”, destaca. Segundo ele, acordos coletivos devem se tornar instrumentos fundamentais para flexibilização operacional e prevenção de conflitos trabalhistas.
Entre as principais estratégias recomendadas estão a realização de auditorias internas para identificar gargalos e ociosidades, a implementação de banco de horas estruturado e o uso de sistemas inteligentes de gestão de jornada. A tendência, segundo especialistas, é que organizações mais preparadas consigam transformar a mudança em vantagem competitiva, reduzindo riscos e aumentando eficiência.
O Brasil caminha para uma nova configuração das relações de trabalho, alinhada a modelos já adotados em outros países e cada vez mais associados à produtividade e qualidade de vida. Para o setor empresarial, a adaptação antecipada deverá ser determinante para atravessar o novo cenário sem comprometer sustentabilidade financeira e operacional.
Serviço: Manso & Cunha Advogados
Dr. Luiz Henrique Cunha, OAB/AL 8.399
Advogado Especialista em Direito do Trabalho Empresarial
@mansoecunhaadvogados
Maceió, Alagoas, Brasil