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Arquitetura que transforma

  • todacomunicacao
  • 28/04/2026 às 16:00

Projeto pioneiro mostra como ambientes impactam diretamente o desenvolvimento de autistas

A arquitetura pode ser decisiva no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, TEA, mas ainda é pouco explorada como ferramenta terapêutica no Brasil. A arquiteta especialista Rosana Pacionik Natan defende que o ambiente precisa ser pensado de forma estratégica para colaborar com o neurodesenvolvimento. “O espaço não pode ser neutro ou apenas bonito. Ele precisa ser funcional para o cérebro de quem está ali, especialmente quando falamos de autismo”, afirma.

Essa visão ganha força em um momento em que o número de diagnósticos cresce no mundo. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, 1 em cada 31 crianças está dentro do espectro. No Brasil, a ausência de normas específicas para o autismo na arquitetura ainda representa um desafio, já que as diretrizes existentes focam principalmente em acessibilidade física.

Para suprir essa lacuna, iniciativas independentes vêm ganhando protagonismo. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pelo instituto EDUTEA criado por Rosana, que atua tanto na educação e saúde quanto na viabilização de projetos arquitetônicos inclusivos. “Nosso objetivo é democratizar o acesso. Muitas famílias escolas e clínicas não têm recursos para um projeto completo, então buscamos parcerias para tornar isso possível”, explica.

Esse modelo colaborativo já apresenta resultados concretos. No próximo dia 07 de maio, será inaugurada a Clínica Aampara, considerada um projeto pioneiro no país ao aplicar, na prática, conceitos de arquitetura voltada ao autismo em um espaço clínico multidisciplinar. “É a prova real de que funciona. Não é um conceito teórico ou um projeto no papel. É um ambiente construído para atender as necessidades sensoriais e comportamentais do autista”, destaca.

O projeto enfrentou limitações orçamentárias, comuns em iniciativas financiadas com recursos públicos. Ainda assim, soluções estratégicas permitiram alcançar um resultado eficiente. “Trabalhamos com arquitetura modular e escolhas assertivas de layout e mobiliário. Isso reduz custos e garante funcionalidade”, explica a especialista.

Um dos principais diferenciais está no controle de estímulos. Ao contrário do senso comum, que associa ambientes terapêuticos a excesso de elementos visuais, o foco é a redução de interferências. “A pessoa precisa estar desestimulada para conseguir receber o estímulo da terapia. Se o ambiente já é excessivo, ela não consegue focar no que realmente importa”, afirma.

Além do impacto técnico, a iniciativa também levanta um debate social importante: a falta de visibilidade do autismo em políticas públicas e sinalizações cotidianas. “Hoje vemos placas para idosos, gestantes e pessoas com deficiência física, mas quase nada voltado ao autista. Isso mostra uma mistura de falta de conhecimento e esquecimento”, pontua.

Para ampliar o acesso à informação, Rosana também organiza um congresso EDUTEA nacional que reúne profissionais de diferentes áreas para discutir o tema sob uma perspectiva multidisciplinar. O evento acontece em junho, em Curitiba, e toda a arrecadação será destinada ao instituto. “A inclusão só acontece quando todas as áreas trabalham juntas. Arquitetura, educação, saúde e família precisam estar alinhadas”, reforça.

Como mensagem final, a especialista destaca um ponto central que ainda precisa avançar no país. “O autismo é uma deficiência e precisa ser tratado como tal em todas as disciplinas. Quando o ambiente é pensado corretamente, ele deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma ferramenta de desenvolvimento”, conclui.

Serviço: Mantro Arquitetura Sensorial
Rosana Pacionik Natan
Arquiteta especialista em autismo
(41) 99675 8855
@arq.rosanapaciorniknathan
contato@rosanapaciorniknathan.com.br
www.rosanapaciorniknathan.com.br
Av. Sete de Setembro 5402 sala 121 Batel / Curitiba, PR

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