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O peso invisível da mulher que resolve tudo

  • todacomunicacao
  • 02/10/2026 às 15:27

No mês do Dia Mundial da Saúde Mental, a psicanalista e pedagoga Regina Braghittoni alerta para os sinais de esgotamento entre mulheres que assumem a responsabilidade por todos, mas encontram dificuldade para cuidar de si

Ela organiza a rotina da casa, acompanha as necessidades dos filhos, ajuda familiares, resolve problemas no trabalho, administra compromissos e ainda tenta estar emocionalmente disponível para todos. Por fora, é vista como uma mulher forte e capaz. Por dentro, pode estar cansada, ansiosa e com a sensação permanente de que nunca faz o suficiente. Esse é o peso invisível enfrentado por muitas mulheres que se acostumaram a “dar conta de tudo”. Segundo a psicanalista e pedagoga Regina Braghittoni, do Instituto Brasileiro de Psicanálise MATEMA, a força constantemente exigida e elogiada pode esconder uma sobrecarga emocional importante. “Muitas mulheres são reconhecidas por sua capacidade de resolver problemas, acolher e cuidar. O perigo começa quando essa força deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma obrigação. Ela sente que não pode falhar, descansar ou demonstrar fragilidade porque acredita que todos dependem dela”, explica Regina.

O tema ganha relevância em outubro, mês em que se celebra, no dia 10, o Dia Mundial da Saúde Mental. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde chama a atenção para a importância de ouvir as experiências reais de quem enfrenta algum tipo de sofrimento emocional. Uma carga que nem sempre é percebida. A sobrecarga feminina não está relacionada somente à quantidade de tarefas realizadas. Ela também envolve o chamado trabalho mental e emocional: lembrar compromissos, antecipar necessidades, administrar conflitos, preocupar-se com o bem-estar dos outros e manter a rotina funcionando.

Dados do IBGE mostram que, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Entre os homens, a média foi de 11,7 horas. Isso significa que muitas mulheres conciliam a atividade profissional remunerada com uma segunda jornada de responsabilidades domésticas e familiares. “Não é apenas executar uma tarefa. É precisar lembrar que ela existe, planejar como será realizada e garantir que tudo aconteça. Essa responsabilidade permanente mantém a mente em estado de alerta, mesmo nos momentos em que a mulher deveria estar descansando”, observa a psicanalista.

Dificuldade para relaxar, irritação frequente, alterações no sono, ansiedade, sentimento de culpa ao descansar, perda de prazer e a sensação de estar sempre em dívida com alguém podem indicar que a rotina ultrapassou os limites emocionais daquela mulher. Esses sinais, isoladamente, não representam um diagnóstico. Entretanto, quando se tornam persistentes e começam a prejudicar a rotina, os relacionamentos, o trabalho ou a qualidade de vida, merecem atenção.

Outro comportamento comum é a dificuldade de pedir ajuda. Algumas mulheres acreditam que delegar tarefas demonstra incapacidade. Outras têm receio de decepcionar as pessoas ou de serem vistas como egoístas ao estabelecer limites. “Quando uma mulher passa muito tempo ocupando o lugar daquela que resolve tudo, ela pode deixar de reconhecer as próprias necessidades. Em muitos casos, consegue perceber rapidamente o sofrimento dos outros, mas demora para admitir o próprio cansaço”, afirma Regina.

Para a especialista, o primeiro passo é reconhecer que a sobrecarga existe e identificar quais responsabilidades podem ser compartilhadas. Tornar visíveis as tarefas domésticas e emocionais, conversar com familiares, rever prioridades e estabelecer limites são atitudes importantes. Aprender a dizer “não” também faz parte desse processo. O limite não representa falta de amor ou de comprometimento, mas uma forma de preservar a própria saúde emocional. “Ser forte não deveria significar suportar tudo em silêncio. Uma mulher não precisa chegar ao esgotamento para merecer ajuda. Descansar, dividir responsabilidades e cuidar de si não são atitudes egoístas; são necessidades humanas”, reforça a psicanalista.

Serviço: Regina Braghittoni

Psicanalista e diretora do instituto Matema de Psicanálise faz atendimentos de adolescentes e adultos

@regina.braghittoni

11-96303.28.38

https://iebmatema.com.br/

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