Relatório Focus sinaliza nova queda nas projeções de juros e reacende expectativas no crédito e no setor imobiliário
A projeção da taxa básica de juros voltou a cair nesta semana, de acordo com o Relatório Focus do Banco Central do Brasil. O movimento, ainda que gradual, já provoca reações no mercado financeiro e no comportamento de consumidores e investidores. Historicamente, a sinalização de juros menores altera decisões quase de forma imediata, principalmente em setores sensíveis ao crédito, como o imobiliário.
Quando o mercado começa a projetar redução na Selic, três movimentos tendem a acontecer quase simultaneamente: melhora nas condições de crédito, aumento da confiança do consumidor e retomada do interesse por ativos reais. Em um cenário em que o Brasil ainda convive com níveis elevados de endividamento das famílias, que segundo dados recentes da CNC ultrapassam 75%, qualquer alívio na taxa básica influencia diretamente o custo do financiamento e a disposição para novos compromissos financeiros.
Para o economista Noé Santiago da Anidea Soluções Financeiras, o efeito psicológico antecede o impacto prático. “O mercado não espera a queda efetiva da taxa para se movimentar. Quando o Relatório Focus sinaliza tendência de redução, bancos começam a recalibrar suas expectativas, investidores reavaliam portfólio e o consumidor passa a enxergar o crédito com menos receio”, afirma.
O mercado imobiliário costuma ser um dos primeiros a reagir. Em ciclos anteriores de queda da Selic, o volume de financiamentos imobiliários cresceu de forma consistente, impulsionado pela redução gradual das taxas praticadas pelos bancos. No Paraná, onde o setor da construção civil representa parcela relevante do PIB estadual e mantém milhares de empregos diretos e indiretos, o reflexo tende a ser rápido, especialmente em cidades como Curitiba, que mantêm demanda aquecida por imóveis residenciais e comerciais.
Segundo Noé Santiago, o imóvel volta a ocupar espaço estratégico nas carteiras. “Com juros menores, a renda fixa perde parte da atratividade e o investidor volta a olhar para ativos reais como proteção patrimonial. O imóvel combina segurança jurídica, potencial de valorização e geração de renda, características muito valorizadas em momentos de transição econômica”, destaca.
A expectativa é de que, ao longo dos próximos meses, o custo do financiamento acompanhe o novo ciclo projetado, favorecendo tanto quem deseja adquirir a casa própria quanto investidores que buscam reserva de valor. A consolidação desse movimento dependerá da trajetória da inflação e da estabilidade fiscal, mas o sinal emitido pelo mercado já indica mudança de direção.
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Noé Santiago
Economista
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